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Mesa
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Anexos
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83.127-_03-0.306
Metadados
Miniatura
Número de registro
83.127/030.306
Situação
Localizado
Denominação
Mesa
Título
Mesa do Ourives
Autor
Classificação
Resumo descritivo
Mesa cavalete com quatro pés quadrangulares sustentados por quatro traves retangulares. Tampo quadrangular recortado nas pontas dianteiras, na frente recorte ovalado, usado para lixar e escorrer o ouro para dentro da gaveta. Na frente embaixo do tampo três gavetas, sendo duas nas laterais e uma maior mais ao fundo, tendo a parte da frente recurvada, as gavetas laterais são que sustentam a do centro.
Altura
80
Largura
110
Profundidade
69
Material
Técnica
Marcas/Inscrições
Ausência de inscrições
Local de produção
Data de produção
Modo de aquisição
Doação
Data de aquisição
16/11/83
Procedência
Fonte de aquisição
João Ferreira de Lima
Tema
Histórico/Observação
Peça adquirida em 16/11/1983, pertencente a João Ferráz de Lima, antigo ourives da Cidade de Goiás. Foi doada pelo mesmo, juntamente com a cadeira e os apetrechos de ourivesaria – candeeiro de azeite, maçarico (para soldar ouro e prata), burilador ou buril (para raspar e burilar o ouro e prata), pegador de ouro (para pegar os filamentos de ouro) e forma de fundir ouro (com 17 cavidades).
João Ferráz de Lima, conhecido por João Malheiros, nasceu na Cidade de Goiás em 26/01/1918 e faleceu em 21/05/1988. Aprendeu a profissão com seu pai de criação, Antônio (Tonico) Malheiros, tendo como local de trabalho, a Rua do Carmo e posteriormente, a Rua Atrás da Abadia. Iniciou a profissão de ourives ainda na juventude e a exerceu durante toda a sua vida.
Seus descendentes, Edijari Santos Lima e Wellington de Paula Lima, filho e neto, respectivamente, também se dedicaram ao ofício de ourives, dando continuidade a tradição da família. Foram muito apreciados os anéis de prata, das décadas de 1960 e 1970, trabalhados com esmero, com detalhe de chave e coração, tradição na Semana Santa da Cidade de Goiás, os quais eram adquiridos pelos locais e visitantes durante a Sexta-Feira da Paixão.
Também conhecida como “banca do ourives”, essa peça de mobiliário integrou as oficinas de ourivesaria desde há séculos, adentrando o século XX. Nela se executavam grande parte das operações necessárias para a manufatura de joias e sem joias em ouro e prata.
Sua estrutura é caracterizada pela simplicidade formal, sendo utilizadas para execução, madeiras nativas, com recursos do próprio meio ambiente local, apresentando, com isso, um manifesto caráter regional, enquanto mantém linhas gerais estáveis, sóbrias e arcaizantes, comuns a todas as oficinas e regiões.
A sua razão de ser encontrou justificação na adequação ao trabalho que sobre elas era executado, e ao local a que se destinavam, mas também às características do seu utilizador, que estabelecia com o móvel uma relação de estreita proximidade, sendo as bancas muitas vezes personalizadas tanto em pormenores técnicos como na adequação ao físico do seu usuário. (MOTA, 2016)
A ourivesaria é uma arte milenar, exercida no Brasil desde o início da colonização e com maior intensidade após o advento da descoberta das minas de ouro e prata, nos séculos XVII e XVIII. Segundo Brancante (1999): “[...] em seu primeiro século de existência, o Brasil já possuía ourives e riquezas em prata que, se não chegaram até nossos dias, perderam-se devido às pilhagens ocasionais e ao espírito comum da época de refundir pratas velhas para fazer novas peças.” (RESENDE, 2010).
A arte de se fundir metais em ouro, prata, cobre, de incrustar, encastoar, limar, e banhar a ouro, muito se utilizou desse tipo de mesa ou banca, adaptada para melhor desempenho da profissão.
Para saber mais:
MOTA, Rosa Maria dos Santos. Mobiliário de Ofícios: as bancas de ourives. Universidade Católica Portuguesa, 2016.
RESENDE, Sancha Livia. Um olhar sobre o fazer do ourives em Belo Horizonte – MG. SP: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2010. Mestrado em Ciências Sociais.
BRANCANTE, Maria Helena. Os Ourives na História de São Paulo. São Paulo: Árvore da Vida. 1999.
Acervo
Artes Visuais


